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Amazônia Revista Amazônia Brasil
O Médico paulista Eugênio Scannavino Neto(ESN) e o Engenheiro Agrônomo carioca Luiz Carlos Pinagé(LCP) consideram-se tão amazônidas como brasileiros. Os dois passaram grande parte de suas vidas na região, promovendo e participando de ações de melhoria de condições de vida das populações locais e de preservação da floresta e foram entrevistados pelo Sesc-R.J., quando da vinda à exposição Amazônia Brasil, no Jardim Botânico, em agosto de 2004:
SESC - A idéia que a maioria faz da Amazônia é de uma região uniforme.
LCP - Nada mais errado. A Amazõnia tem florestas de terra firme, florestas de várzeas inundadas anualmente com as enchentes, cerrados e campos abertos com pedras. Existem florestas de transição para o Cerrado e a Caatinga. E cada área de floresta é única: a floresta do Pará é totalmente diferente da floresta do Acre, que se distingue da região do Suriname e do Platô guiano.
São 23 ecoregiões, são várias amazônias.
SESC - Os moradores da floresta abandonam suas terras?
ESN - Recentemente, um morador da floresta vendeu mil árvores de mogno a 700 reais, ou seja, ganhou 70 centavos por árvore! Esse homem precisava de dinheiro para comprar remédios para a mulher, que tinha uma doença muito simples e que se agravou por falta de atendimento precoce. A circulação de moeda é muito pequena, as pressões das condições de vida são muito fortes. São esses fatores que levam ao êxodo rural. Essas terras vendidas a preços muito baixos tornam-se áreas de exploração predatória, seja de madeireiros, seja de criadores de rebanhos.
A revista publica também uma matéria com o título: MENTIRAS QUE COLARAM !
A madeira explorada na Amazônia é quase toda exportada para países europeus. LCP - Não. 84% da madeira produzida fica no país, a maior parte em São Paulo.
O Extrativismo é uma atividade pouco rentável. Para desenvolver-se, a Amazônia deve abrir grandes clareiras para a agricultura e a pecuária. ESN - Não. De acordo com estudos recentes, o extrativismo dá lucros cinco vezes maiores que os da agricultura e 15 vezes maiores do que os da pecuária.
O ponto mais ao norte do Brasil é o Oiapoque. LCP - Errado. Desde 1998, uma expedição organizada pela Prefeitura de Uiramutã, estado de Roraima, constatou que o ponto do extremo norte do Brasil é o Monte Caburaí, onde fica a nascente do Rio Uailã, praticamente virgem, numa região de difícil acesso e úmida. O Monte Caburaí faz parte do Parque Nacional do Monte Roraima.
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